20 Anos de Igreja Betesda

Igrejas moralmente problemáticas e a experiência da graça

Artigos e Ilustrações

Sóstenes Lima

A vida é moralmente problemática, logo os cristãos, bem como todos os seres humanos, são, por definição, moralmente problemáticos. Essa afirmação, apesar de causar arrepios e resistência em alguns cristãos moralistas, que se autoproclamam defensores e guardiões dos bons costumes e a quintessência moral de uma sociedade pervertida, possui ampla fundamentação bíblica e teológica, e não pode ser refutada.

Devo alertar que quando afirmo que todos os seres humanos são moralmente problemáticos, não estou dizendo que a conversão não afeta a ética, que pessoas alcançadas por Cristo permanecem tal como estavam antes, que sua ética em nada é mudada. De jeito nenhum estou afirmando isso! Creio que um encontro com Cristo provoca uma revisão profunda em nossa agenda existencial e moral, mas isso não nos coloca numa posição de superioridade moral, não eleva a nossa natureza ética, não faz uma limpeza em nossos impulsos, não nos liberta das paixões, não nos livra da tentação e da queda. Depois da conversão, permanecemos com a mesma natureza, embora em alguns casos mais dispostos praticar a justiça.

Depois da conversão, o que faz mesmo a diferença não é o nosso esforço mais concentrado em praticar a justiça, mas sim a consciência de que não estamos irremediavelmente entregues à ruína, à perdição por causa de nossa falibilidade moral. Existe algo que não provém de nós, portanto não condicionado ao nosso esforço e desempenho moral, que pode dar jeito à nossa entranhável natureza decaída: a graça, somente a graça. Ela é maior do que a nossa queda, é maior do que nossos vícios. A graça deixa bem claro que o mérito não é da pessoa que se tornou cristã, mas de Deus que a aceitou e lhe concedeu o favor.

Embora a doutrina da graça seja tão explicita nas escrituras, ainda enfrentamos muita dificuldade em levá-la a sério, talvez pelo fato de que ela arrasa o orgulho moral de quem, por causa de uma vida moral supostamente elevada, se julga filho predileto de Deus. O fato é que, querendo ou não, admitindo isso ou não, todos nós somos moralmente problemáticos, e é nesse contexto que a graça opera. Como diz o apostolo Paulo “onde abunda pecado, superabunda a graça”.

Voltando os olhos para a igreja, alguns sentem certo desconforto diante da afirmação de que a igreja é formada por pessoas moralmente desajustadas, problemáticas. Tais pessoas são tentadas a ver a igreja como uma comunidade de santos, não no sentido posicional, mas no sentido de que a igreja é constituída por pessoas moralmente diferenciadas em suas práticas cotidianas. Porém, precisamos admitir o óbvio: somos todos, cristãos e não-cristãos, pecadores e igualmente dependentes da graça de Deus. Por isso volto a enfatizar: ao nos tornarmos cristãos não passamos por um processo de expurgamento que nos transforma em super-homens morais.

Continuamos a lutar contra as chagas da mentira, do roubo, da avareza, da calúnia (e fofoca), do alcoolismo (e todo tipo de vício), da luxuria (e todo tipo de imoralidade sexual) e outras chagas mais brandas. Todas essas enfermidades morais, embora possam ser maquiadas por algum efeito estético da pungente hipocrisia ético-religiosa, continuam alojadas nas profundezas de nossa natureza a nos corroer e desafiar, e só pode ser plenamente vencida pela graça.

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